ViDA: A Europa junta-se a duas décadas de transformação fiscal global
A faturação eletrónica obrigatória é frequentemente apresentada como uma reforma recente, impulsionada na Europa pelo projeto ViDA — IVA na Era Digital (VAT in the Digital Age) — e pelos atuais regimes nacionais que estão a ser implementados. No entanto, esta transformação não teve início em Bruxelas ou em Paris.
Foi este o ponto de partida escolhido por Christiaan Van der Valk durante a sua conferência inaugural nas E-invoicing Days, realizadas a 6 de maio de 2026 no Palais Brongniart: para compreender o ViDA, é necessário primeiro enquadrar a Europa numa história muito mais longa, que começou na América Latina no início dos anos 2000. A ideia da faturação eletrónica obrigatória surgiu no Chile em 2001, antes de se disseminar, no espaço de quinze anos, por grande parte da América Latina e, posteriormente, chegar à Turquia a partir de 2014.
A faturação eletrónica obrigatória não representa, por isso, apenas uma alteração no formato dos documentos. Ela assinala a entrada das administrações fiscais numa nova fase de digitalização, na qual os dados das transações passam a ser uma ferramenta central de controlo tributário. O paradoxo é evidente: administrações tradicionalmente vistas como conservadoras tornaram-se, em poucas décadas, uma das forças impulsionadoras da transformação digital das economias.
A Europa está, assim, a entrar num movimento que já se encontra bastante avançado noutras regiões. Mas não está a entrar nesse processo através de um modelo único. Esta é uma das principais mensagens desta perspetiva histórica: em todo o mundo, os Estados estão a avançar rumo à digitalização fiscal, mas nenhum país está a fazê-lo exatamente da mesma forma.
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